COMECEI A CORRER ERA OBESA E TINHA QUASE 50 ANOS

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Parecia inimaginável que eu fosse começar a correr perto dos 50 anos de idade. Correr é fácil para as crianças. Difícil é fazê-las parar! Acontece que, por força da vontade e da consciência de que eu deveria cuidar da saúde e manter o peso, eu dava boas caminhadas.

Rosane e David (esposo) antes de começar a correr

Certo dia, meu irmão mais novo me apresentou o livro Nascido para correr, de Christopher Mcdougall. Disse que depois de ler eu sairia correndo! Parecia piada. Eu disse que leria, mas que na minha idade, sem nunca ter corrido, era impossível e, ademais, eu nem tinha saúde para tanto, e blá blá, blá. Aconteceu que, antes mesmo de terminar o livro, eu já estava começando a correr!

Comecei visualizando o modo das crianças correrem com a barriga para fora e na ponta dos pés, com joelhos meio dobrados. Logo comecei a saltitar feito uma delas! Parecia uma galinha louca! Mas é daí que você começa a entender como os índios Tarauramas, no México, correm mais de 100 km de pés descalços! Aprendi muita coisa naquele livro incrível.

Uma das mais importantes, para mim, foi saber que o desempenho de um jovem de 18 anos é o mesmo de um idoso de 70 anos, em se tratando de corrida! Isso jogou por terra a minha crença infundada de que na minha idade era tarde demais para começar!

Outra coisa que me entusiasmou muito foi entender que os homens foram caçadores no período Paleolítico e que toda a tribo corria junto atrás da caça. Iam homens e mulheres carregando suas crianças pequenas e seguidos pelos idosos a seu ritmo. Corriam por muitos e muitos quilômetros. Deveriam ir todos, pois a tarefa de voltar a alguma aldeia carregando a caça, para alimentar quem ficara para trás, era simplesmente, impossível. Enquanto os animais, por mais velozes que fossem, necessitavam de paradas para trocar calor corporal, através da língua pendendo para fora da boca, o ser humano, único animal que transpira, permanecia correndo. Dessa forma, acabavam por cercar a caça e abatê-la, em algum momento de exaustão e troca de calor.

Foi assim que desci da esteira, muito feliz e orgulhosa, dando soquinhos no ar, na primeira vez que consegui percorrer 10 km! A velocidade não era a coisa mais importante, a distância, sim! Há quem leve menos de 4 minutos para percorrer um quilômetro. Mas é possível correr bem devagar essa mesma distância e demorar mais do que o dobro do tempo. Ao percorrer 10km, alternando caminhada com curtos períodos de corrida, tive a clareza de que sobreviveria na Europa Paleolítica!

Nenhuma medalha em corrida, nenhum aplauso vindo de fora, nada, nada mesmo é comparável à sensação que vem de dentro, de ser capaz de superar obstáculos, de ser um sobrevivente!

Primeira corrida de 8 km em 2012

Um amigo me apresentou um aplicativo no celular, que marca, com GPS, todo o trajeto da caminhada/corrida, além do tempo, queima calórica, rendimento em cada trecho. Adorei a ideia e esse brinquedo, que adotei e me acompanha sempre, me tirou da esteira para as ruas!

Depois disso, uma amiga que me acompanhava pela rede social sugeriu que eu tivesse o acompanhamento de uma equipe especializada em corrida. Eu não queria ser exigida a dar o máximo, não estava atrás do pódio, não queria rocar meu prazer por alguma rotina estafante. Mas não foi nada disso, apenas passei a correr de forma responsável, coordenada, economizando energia, prevenindo lesões e melhorando a postura.

 

3 anos depois de começar a correr

No início, eu precisava caminhar alternadamente com trechos de corrida para fazer provas de 5km. Levava 8min para percorrer cada um. Depois percebi que meu tempo vinha baixando e, no meu 3º ano de treino tenho conseguido fechar alguns quilômetros em 6:15 min. Já consigo fazer provas de 10km sem precisar caminhar. Assim, fui deixando de ser a última colocada em minha categoria por idade!

Não tenho pretensão alguma de subir ao pódio. O que não para de subir é minha auto-estima!

 

Rosane Schotgues Levenfus é Mestre em Psicologia Clínica e Especialista em Neuropsicologia. Corredora há três anos, a psicologa é autora do livro Diário de uma ex-gorda e escreve crônicas motivacionais aliando corrida e força de vontade no Correr é Fácil.

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