TRANSPLANTADA DE PULMÃO É CAMPEÃ MUNDIAL

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Imagine uma atleta bem ativa com 30 anos de idade, daquelas que praticam de tudo um pouco, incluindo ginástica, musculação, natação, street dance, atletismo, ballet e, de repente, ter que parar com tudo. Mais que isso, descobrir que só um transplante de pulmão pode salvar sua vida e que o fôlego que antes era abundante começa a lhe faltar. Agora, imagine essa atleta dando a volta por cima, voltando a vida ativa e se tornando campeã mundial de atletismo. Essa é a história da educadora física gaúcha Liége Gautério.

A vida na atividade físicia iniciou no ballet clássico com 5 anos. Liége conta que na escola também se destacava em outras modalidades, especialmente, no atletismo. “Com 13 anos, sempre participava dos jogos escolares nas provas de 100m e 200m rasos e me saía bem”, afirma.

Na fase adulta, o interesse e a disciplina nas atividades cresceu ainda mais. “Eu impunha os horários de treino pra mim mesma e não faltava nunca. Treinava de domingo a domingo. Mas nunca competi em nada, salvo as competições escolares. Só parei mesmo quando a doença parou meu corpo”, disse Gautério.

A doença a que Liége se refere é Fibrose Pulmonar por Hipersensibilidade, uma doença progressiva e sem tratamento que faz com que o pulmão vá perdendo sua capacidade de expandir e retrair. É como se vários locais de tecidos cicatriciais tomassem conta do pulmão, fazendo com que o orgão vá “endurecendo”. O tempo médio de evolução da doença é em média de 7 anos. “Senti uma forte dor nas costas e atribuí a um mal jeito muscular. Fui para meu treino de musculação, mas ao chegar na bicicleta ergométrica vi que a dor começou a piorar. Parei o treino e fui para a emergência da PUC. Fiz raio-x de tórax e veio a notícia: tens que ir para o bloco cirúrgico AGORA”, contou.

Daí para frente, foram feitas várias drenagens e, pelo menos, três cirurgias nos pulmões. Até 2009, a atleta gaúcha viveu sem sintomas importante até que no final de 2010 até o esforço para escovar os dentes ficou difícil e foi preciso usar balões de oxigênio para respirar. Cinco meses na fila para o transplante e LIége Gautério recebeu um novo pulmão.

Da cirurgia ao retorno aos treinos. “Iniciei do zero. Respeitei bastante o ritmo do meu corpo e por ser formada em educação física montei um treino bem coerente para meu condicionamento no momento. Na medida em que ele ia respondendo ao treino, intensificava um pouco mais. Hoje treino normalmente e realizo tudo o que fazia antes da manifestação da doença”, afirmou.

A grande recompensa de uma vida dedicada ao esporte veio em 2015, nos Jogos Mundiais para Transplantados em Mar Del Plata na Argentina. Além de ser a primeira mulher brasileira a participar dos jogos que já conta com 20 edições, Liége Gautério conquistou a medalha de ouro nos 100 metros rasos no atletismo. “Correr pra mim tem um significado muito simbólico. Como fui privada de respirar normalmente por um tempo, sendo nove meses dependente de oxigênio 24h em função da minha fibrose pulmonar, sinto que correr é sentir a vida. Absorvo a vida por meio da respiração”, disse.

Agora o próximo de Liége é conseguir correr 5km na próxima Maratona de Porto Alegre, em Junho deste ano. “Uma distância que pode ser considerada “aquecimento” pra muita gente, pra mim, que vivo só com um pulmão, é um grande desafio!!! E minha ideia é mostrar que um transplantado é capaz de viver normalmente e se superar a cada dia. Penso que nunca podemos desistir dos nossos sonhos e muito menos subestimar nossacapacidade…é sempre possível ir mais além”, afirmou.

Acreditando que a vida é movida a desafios, a campeã mundial que hoje tem 42 anos, quer correr a vida inteira. ” Nunca pensei em parar. Só parei quando meu corpo me parou. Sei que meu preparo prévio foi determinante na recuperação do meu transplante e sou uma defensora da prática de esporte entre os transplantados”, disse.

Nome: Liège Gautério
Data de Nascimento: 10/02/1973
Profissão: Educadora Física
Naturalidade: Santa Maria- RS
Conquistas importantes: Minha maior conquista foi ter recebido uma segunda chance de viver, através de um transplante de pulmão há 4 anos.
Exemplo no mundo do esporte / corrida? Usain Bolt

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